Cronicas Imagéticas V: qigong no raio-x

Eram 06:50 da manhã e meu embarque no aeroporto Juscelino Kubitchek, em Brasília, começava às 07:10. Cheguei ao raio-x da PF com menos tempo do que de costume. Estava quase tudo vazio. Escolhi um aparelho que parecia livre, sem reparar que uma senhora tinha passado e estava sendo checada manualmente do outro lado. O rapaz que estava encaminhando os volumes perguntou se eu podia esperar. 

Enquanto esperava, a moça que estava sentada diante da telinha do raio-X se virou para o colega, fazendo uma careta: 

- Nossa, estou morrendo de dor nas articulações. Na mesma hora, eu perguntei onde. Ela mostrou a articulação coxo-femural e o joelho.

- Acho que é porque eu fiquei muito tempo sentada na pedicure...

- Mas você também está com dor na coluna? 

- Ih, menino, nas costas todas! 

- Olha, a dor nas costas eu posso resolver. Quer que faça um tratamento? Foi o bastante para o rapaz da esteira me olhar com desconfiança. E talvez chegar um pouquinho pra trás. 

- Mas como é? Que tipo de tratamento?

- Ah, é tipo uma acupuntura à distância. Essa é que é a boa, né? Ela riu. Eu disse que ia fazer e comecei a mover os braços. 

- O que eu faço? 

- Nada, basta relaxar. Ela botou as mãos sobre as coxas e fechou os olhos. Enquanto isso ia chegando gente pro raio-x. O rapaz da esteira: 

- A Sra. pode usar a próxima esteira, por gentileza? O Sr. pode ir à próxima, por favor? 

Surreal. Só no Brasil mesmo. 

Depois de mais ou menos um minuto e meio, ela abriu os olhos com uma expressão de surpresa. Virou-se pro colega: 

- Olha, sabe que está melhor? Tá melhor mesmo. 

- Como, tá melhorando mesmo? Incrédulo e desconfiado. 

- Tá, olhaí (mexendo o corpo na cadeira). 

(Eu)

- Ainda sente alguma dor? 

- Não... (ainda sentada, estica as pernas:) Só um pouco na parte de trás do joelho. 

- OK, vou mudar aqui o tratamento... só um pouquinho... (passam-se uns 25, 30 segundos) e agora? 

- (Estica as pernas): Passou! Você tem cartão? 

Foi só então que minha mochila passou pelo raio-x. Quando cheguei no portão, já estava armada a fila. A gente não ganha dinheiro, mas a gente se diverte!